Quando a vida não nos dá escolhas, precisamos traçar novos planos e aprender a continuar sonhando. Com ela, foi assim.
Nascida em Lorena, no interior de São Paulo, ela sempre foi uma mulher determinada, movida pela vontade de viver. Construiu sua carreira na capital onde também encontrou o grande amor da sua vida: Cadu. Foram mais de vinte anos juntos, dois filhos, uma parceria de alma, muitos sonhos compartilhados e planos que não pareciam ter fim. Mas o destino, às vezes, interrompe histórias antes do previsto.
No dia 12 de março de 2023, a vida de Lívia parou. Ela encontrou o marido sem vida no quarto da filha e tudo aquilo que parecia certo se desfez. De um dia para o outro, precisou reinventar a própria vida e precisaria ser mais forte do que nunca. Não apenas por ela, mas pelos filhos e pelos pais, que estavam profundamente abalados com a perda. "Ele era um paizão. Nós tínhamos uma família linda, sonhada. Realizamos juntos muitos sonhos", comenta.
Entre a saudade e a necessidade de seguir, um dia ela se olhou no espelho e fez uma escolha simples, mas transformadora: "Eu escolho ser feliz".
A partir daí, a felicidade deixou de ser uma consequência e passou a ser um propósito. Em suas redes sociais, passou a dividir pequenos fragmentos do cotidiano e se surpreendeu com o carinho que recebeu. Descobriu que, ao se mostrar forte, inspirava outras mulheres que também enfrentavam suas próprias dores e foi justamente no vínculo com essas mulheres que encontrou acolhimento, leveza e coragem para recomeçar.
Lívia conta que a amizade feminina foi o que a sustentou em seus dias mais desafiadores. Amigas que a tiravam de casa para dançar, que ofereciam apoio quando as precisava. Mulheres reais, que mostraram que o amor pode continuar mesmo quando a vida muda de rumo.
Hoje, Lívia entende que o amor permanece nos filhos, nas amizades, nas risadas compartilhadas e na vida que segue. No seu processo de cura, ela se abriu novamente para a vida e encontrou um novo amor. Um amor leve, maduro, que chegou no tempo certo, quando ela já sabia que felicidade não é ausência de dor, mas a escolha diária de continuar amando, acreditando e vivendo. "Eu perdi meu marido, mas ganhei muito das minhas amigas, da minha família, conheci pessoas maravilhosas, dancei, sambei, me apaixonei, chorei... vivi e tenho vivido intensamente."
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