Diante de tantas situações desafiadoras que a vida lhe impôs, encontrou na fé e no amparo de outras mulheres a força que precisava para seguir em frente sempre
A sexta-feira tão esperada por tantas pessoas, para Fátima era sinônimo de tensão e tristeza. Ela cresceu em um lar disfuncional. A mãe trabalhava muito e na mesma intensidade em que o pai de Fátima bebia. Os fins de semana eram sinônimo de gritaria, abusos, confusão e, às vezes, até polícia quando, assim, os vizinhos entendiam necessário. Mesmo diante deste cenário, ela sonhava quem um dia o príncipe encantado iria chegar e fazê-la virar esta página da sua história.
O homem que conheceu, no entanto, mostrou a ela uma realidade que sequer podia imaginar. Viveu com ele uma relação de abuso físico e psicológico que, somada a toda a sua história, a levou a tentar, mais de uma vez, por um ponto final na sua história.
Olhava pra trás e recordava do passado com mágoa. Na infância, a angústia pela situação dos pais; na escola, o bullying pela condição financeira e pelo modo como se vestia; na adolescência, a decepção das relações amorosas falidas que a levaram a caminhos tortuosos. Tudo isso, no entanto, ela transformou em oportunidade de crescimento. Assim, seguiu o caminho de designer de produto e estilista para que pudesse também mudar a vida de outras mulheres. Porém, como ela mesma conta, "era aquela mulher sorridente, bem arrumada por fora, forte, mas, por dentro, carregava rejeição, culpa, complexos e sonhos frustrados".
Até que um dia ela se encontrou na fé. Ao longo do seu processo de cura, conheceu outras mulheres com histórias semelhantes e que fizeram com que ela passasse a enxergar a vida sob outra perspectiva. Ouviu, por inúmeras vezes, os depoimentos dessas mulheres. Ministras que oraram por ela, fortaleceram-na nos momentos desafiadores e a acolheram quando precisou.
Hoje, Fátima inspira outras mulheres através da palavra de Deus e segue se fortalecendo diariamente por um amor que jamais imaginara antes. Ela fala de luz, mas sem negar a escuridão que um dia conheceu. Transformou a dor em propósito e a fé em ponte para recomeçar. Reaprendeu a sorrir, a viver com leveza e a levar essa força para outras mulheres que ainda buscam um caminho.
Fátima é o retrato da mulher que sobreviveu à violência e escolheu o amor. Que entendeu que a cura é um processo coletivo e que fé e sororidade caminham lado a lado.
"Ter uma mulher para nos acolher e nos ajudar a jogar luz em tudo que está oculto é importante. No meu caminho, Deus me conectou a pessoas que liberaram chaves, abriram caminhos e curaram com palavras. Passei a ver a vida por outra perspectiva."
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